A HISTÓRIA DOS MICROCOMPUTADORES
Um verdadeiro processamento tecnológico.


   

    Quando a civilização se formou, havia produtos para se trocar, distâncias a se medir e a se comparar, medidas a representar e valores a registrar para que pudessem ser Ábaco: já usado pelos sumérios há 5 mil anos (*)depois utilizados. A humanidade começou cedo a calcular, daí surgiram instrumentos para ajudar o homem a contar. Um deles é o ábaco, que muitos japoneses usam até hoje, aqui mesmo em Santos. Movia-se algumas continhas para um lado, tinha-se uma quantia. Movia-se mais algumas continhas para esse mesmo lado, e eis a soma. Movendo para o lado contrário, faz-se a subtração. A posição das contas formava uma espécie de memória da soma. 

 

 

 

 

 

Charles Babbage e a máquina diferencial, que começou a desenvolver em 1823   Cartões perfurados - Em 1802, Joseph Jacquard construiu um tear que memorizava os modelos de fábrica em cartões perfurados. A máquina conseguia “ler” esses cartões: conforme um dispositivo encontrava um furo no cartão, atravessava-o, e com isso era cumprida uma determinada instrução.  Em 1890, Herman Hollerith usou esses cartões perfurados para agilizar o censo demográfico dos Estados Unidos. Nesses cartões, havia campos a serem perfurados ou não pelos pesquisadores, e que seriam depois lidos por uma máquina (como no tear de Jacquard).

     Esse trabalho era feito numa máquina de manuseio de dinheiro, por isso os cartões tinham o tamanho da cédula de um dólar. Bom presságio: a companhia fundada por Hollerith, a International Business Machines, é hoje a importante multinacional IBM. Essa empresa, em 1937, apoiou financeiramente Howard Aiken no desenvolvimento do primeiro computador eletromecânico do mundo: o MARK I, que também teve o apoio financeiro da marinha americana. Para que você tenha idéia do tamanho de tal máquina, o MARK I media dezoito metros de comprimento, por dois metros e meio de altura.      

   Com a chegada da II Guerra Mundial e conseqüente avanço da eletro-eletrônica, os Serviços Secretos de diversos países queriam construir seus computadores, principalmente para serem utilizados na codificação de mensagens. De um lado, a Alemanha de Hitler construiu em 1941 o Z3. Do lado dos Aliados, a Inglaterra construiu um computador capaz de decifrar as mensagens utilizadas pelos países do eixo, codificadas pelo próprio Z3. Em 1943 foram produzidos dez Colossus, o nome que este computador recebeu. Como o próprio nome sugere, possuía dimensões gigantescas, cerca de 1.500 válvulas e era capaz de processar cerca de 5.000 caracteres por segundo. A válvula é um componente que trabalha com tensões elétricas relativamente altas e é basicamente térmico. Portanto, o mais comum era alguma válvula se queimar dentro de pouco minutos, fora o super aquecimento que as instalações do computador sofriam.

     A Guerra fez com que todos percebessem que a hora da criação de tais máquinas tinha chegado. No mesmo ano da criação do Colossus, foi iniciado o projeto do ENIAC (Electronic Numeric Integrator And Calculator), o primeiro computador à válvulas dos Estados Unidos, terminado somente após a guerra (1946), também para uso basicamente militar - como cálculo de trajetória de mísseis. Alan Turing, o mesmo criador do Colossus, ajudou neste projeto. O ENIAC tinha cerca de 18.000 válvulas, sendo que de dois em dois minutos uma válvula se queimava. O ENIAC era mais colossal do que qualquer outro computador desta época.  Ocupava uma área de 170 metros quadrados e pesava 30 toneladas. Sua incrível performance foi há muito superada por qualquer calculadora de bolso.

    A partir de 1945, um novo marco foi colocado na história dos computadores com John von Neumann, Arthur Burks e Herman Goldstine. Para se ter uma idéia, a programação do ENIAC era toda feita através de ligação de cabos em conectores, o que demorava literalmente semanas.

As idéias de von Neumann - que são utilizadas até hoje - fizeram com que os computadores pudessem ser programados através de programas(rotinas de manipulação de dados que se utilizam de instruções próprias do computador).

    A partir das idéias de von Neumann e sua equipe, os primeiros computadores a utilizarem conceito de programas foram criados: o EDSAC (Electronic Delay Storage Automatic Computer) e o EDVAC (Electronic Discrete Variable Automatic Computer), em 1949. A partir daí, os computadores passaram a diminuir bastante de tamanho.

    Mas, além do tamanho gigantesco, essas colossais máquinas eram todas resultantes das mais diversas pesquisas de um mercado eminente. Ou seja, quem operava tais máquinas eram os próprios criadores para um público muito restrito. 

    O primeiro computador a ser produzido em escala comercial foi o UNIVAC (Universal Automated Computer), pelos mesmos criadores do ENIAC. O primeiro UNIVAC ficou pronto em 1951.

   Três anos mais tarde, a IBM passa a dominar o mercado de computadores ao construir seus computadores em escala comercial, com o lançamento do IBM 701 e, principalmente, do IBM 650 em 1954. Este último vendeu mais de mil unidades, um sucesso absoluto de vendas, e que veio refletir a real necessidade que o mundo teria no uso de computadores.

   Uma outra revolução na eletrônica, seguramente foi o surgimento dos transístores, pequenos circuitos elétricos que substituíram as enormes válvulas. Assim, o transístor permitiu o surgimento da segunda geração dos computadores.

     Em 1958, o engenheiro Jack Kilby, da Texas Instruments, inventou o circuito integrado. Em 1961, surgiram os microprocessadores que, mesmo sendo menores que uma unha, podiam obter o mesmo resultado que milhares de transístores reunidos. Eles permitiram, na década de 70, o aparecimento da terceira geração de computadores, que já podiam executar vários programas simultaneamente. 

 

     E a evolução passou a ser cada vez mais rápida. Hoje, uma calculadora de bolso que custa em torno de R$4,00 em qualquer camelô, consegue fazer mais do que aqueles equipamentos enormes de 55 anos atrás. No final da década de 70, foram lançados comercialmente os primeiros microcomputadores para uso pessoal.

  

    O primeiro computador pessoal surgiu em 1971: o Kembak-1, com 256 bytes de memória, sendo anunciado por US$ 750 na revista Scientific American. O mesmo ano marcou o aparecimento do disquete flexível (floppy drive, então com oito polegadas de diâmetro) e do microprocessador Intel 4004.

         O Kembak-1 (aberto) foi o primeiro computador pessoal

O processador Zilog 8080A, criado por Faggin e Shima

    Mas foi a saída de dois funcionários da fábrica Intel que detonou o processo que levaria à popularização dos computadores pessoais. Frederico Faggin e Masatoshi Shima, que tinham participado do desenvolvimento do microprocessador 8080A (considerado o primeiro “computador num chip”) fundaram a Zilog Incorporated e passaram a desenvolver um novo chip, compatível com aquele (que tinha se tornado popular entre amadores e projetistas de computação). Ampliaram o conjunto de instruções embutidas no chip e criaram o Z80, lançado em 1976.

     Em 1978, a Intel lança o 8086, primeiro processador de 16 bits. Esse processador acabou sendo um grande fracasso, pois na época não existiam circuitos de apoio que pudessem trabalhar a 16 bits, sendo utilizado apenas em alguns sistemas corporativos. O 8086 podia acessar até 1 MB de memória RAM.

     Com base no fracasso do 8086, a Intel lança no mesmo ano, o 8088. Tal processador era idêntico ao 8086, mas apesar de internamente funcionar com palavras binárias de 16 bits, externamente trabalhava com palavras de 8 bits. Isso permitia seu uso em conjunto com periféricos como placas de vídeo e discos de 8 bits, que eram muito mais baratos na época, sendo justamente este o motivo da sua popularização. O 8088 foi usado nos micros IBM PC e IBM XT, e também em clones de outros fabricantes, e possuía velocidade de operação de 4,77 Mhz.

      A partir da década de 80, foram lançados vários processadores: o 286 da Intel, o 386 da Intel que também teve modelos lançados por outros fabricantes como a AMD, o  486DLC e o 486SLC lançados pela Cyrix, o 486 SX e o 486 DX da Intel, o 586 da AMD e da Cyrix, o Pentiuns I, II, III e IV, Duron,  Athon, entre outros.

    Durante a década de 80, também surgiu o primeiro sistema operacional, um programa que permitiria o acesso a unidades de disco magnético por parte dos microcomputadores. Este sistema operacional, o CP/M (Control Program / Microcomputers), criado por Gary Kildall através de sua empresa, a Digital Research,  foi escrito somente para microcomputadores baseados nos microprocessadores 8080 e 8085 - além de anunciar para breve o CP/M-86, para microcomputadores baseados no microprocessador 8086 - todos da Intel; e no microprocessador Z-80, da Zilog.  A conseqüência direta disto foi a adoção desta linha de microprocessadores por todos os fabricantes de microcomputadores que queriam ter unidades de disco flexível em suas máquinas. A Apple teve que, então, criar seu próprio sistema operacional para o Apple II. Além de operar sistemas, os microcomputadores precisavam de uma linguagem na qual as pessoas pudessem escrever seus programas. A escolha mais lógica foi a linguagem BASIC. Então, Bill Gates criou a Microsoft, e desenvolveu um interpretador de BASIC em ROM para ser colocado em microcomputadores.

     Neste meio tempo em que a IBM ainda não havia se decidido a entrar no mercado dos microcomputadores pessoais, a Apple lança diversos periféricos para seu Apple II, como pranchetas gráficas, impressoras e outras centenas de produtos. E o mercado de software cresce assustadoramente, tornando o Apple II um dos micro com mais Softwares produzidos. Foi lançado também a SoftCard, placa com um co-processador Z-80, para que o Apple II pudesse ter acesso a todos os programas escritos sob o sistema operacional CP/M. E o Apple II tornou-se um dos microcomputadores mais vendidos em todo o mundo. A Apple lança também o Apple III, que não teve o menor sucesso, mas lançou a unidade de disco rígido para microcomputadores pessoais. A Atari também entra no mercado dos microcomputadores pessoais com o seu Atari 400 e depois o 800.

    A IBM, que inicialmente não teve interesse em microcomputadores pessoais - ela preferia continuar produzindo computadores de médio e grande portes - finalmente resolveu, em 1981, entrar nesse mercado, vendo que estava crescendo assustadoramente e era a única que poderia desbancar a supremacia da Apple - pois tinha nome, tecnologia e dinheiro. Mesmo assim o direcionamento e a estratégia de marketing continuava em torno dos computadores de grande porte. O que a IBM queria era colocar microcomputadores pessoais na casa das pessoas de modo que na hora da decisão da compra de um grande computador para empresas, a maioria das pessoas associasse a idéia de computador à IBM, por já possuir um microcomputador IBM em casa.

   Persuadida pela Microsoft, a IBM decidiu utilizar a linha de microprocessadores da Intel.           

    Finalmente, em 1981 a IBM lança o seu IBM-PC. Como o lançamento do CP/M-86 anunciado "para breve" demorou muito, então a Seattle Computer - uma das empresas que estavam entrando no mercado na época e que havia lançado um microcomputador baseado no 8086 - resolveu ela mesmo desenvolver um sistema operacional para o seu microcomputador, chamando-o de QDOS. A Microsoft gostou e comprou todos os direitos sobre o QDOS, rebatizando-o de MS-DOS, e possuiu muita semelhança com o antigo CP/M. Assim, o IBM PC é lançado junto com seu sistema operacional próprio, o MS-DOS 1.0 da Microsoft. Em 1983 a IBM lança o seu IBM PC XT (Extended Tecnology), agora com disco rígido (de incríveis 5 ou 10 MB) e uma nova versão do seu DOS, a 2.0.  

   Claro que a IBM não dispunha dos anos de vantagem no mercado dos microcomputadores que a Apple já acumulava. Quando ela começou a desenvolver um produto sobre o qual não tinha o menor conhecimento, a Apple já estava em outro nível. Em 1979 a Apple começou a desenvolver outro microcomputador, o Lisa, baseado em tudo aquilo que Steve Jobs tinha visto em sua visita ao PARC: a interface gráfica. 

     Através de uma interface gráfica, o microcomputador torna-se mais amigável. Funções antes disponíveis somente através de comandos complicados e de difícil memorização passaram a ser utilizadas através de símbolos (ou ícones) disponíveis na tela. Para imprimir um documento escrito em um processador de textos, bastava apontar o símbolo que representava o texto e “arrastá-lo” e “soltá-lo” sobre o símbolo de uma impressora presente na tela.

    Assim rompia-se uma barreira imposta por todos os outros microcomputadores: a dificuldade de utilização, que para o Lisa, era um passado remoto. Ninguém precisava ser um expert em computação para mexer no Lisa. Todos os comandos entrados eram em forma de ícones gráficos, e o Lisa vinha com um periférico estranho: o mouse, que permitia a entrada de dados em simples movimentos.  Isso facilitava ainda mais o uso por quem nunca tinha visto um computador pela frente, passando a ser cada vez mais adotado. O Lisa utilizava-se do microprocessador 68000 da Motorola, que trabalha internamente com 32 bits, mas externamente com 16 bits (mais ou menos como acontece com o 8086/8088). Lançado no mercado em 1983, o único inconveniente era seu alto preço.

   Paralelamente ao projeto do Lisa a Apple trabalhava em outro projeto: O MacIntosh, criado para ser um “Lisa para se ter em casa”. Lançado em 1984, a Apple obteve um sucesso estrondoso com o seu MacIntosh, partindo em outra direção, descartando um futuro maior para a linha Apple II. O próprio Steve Wozniak, pai do Apple II, se afasta da Apple nesta época por não concordar com o fim de um futuro para a linha Apple II.

      A IBM lança o seu IBM PC AT (Advanced Technology) no mesmo ano em que a Apple lança o seu MacIntosh e, logicamente, a Microsoft lança uma nova versão de seu MS-DOS, a 3.0 e a 3.1. Baseado agora no microprocessador de 16 bits reais, o 80286. A IBM conseguiu projetar um microcomputador que operasse com palavras de 16 bits tanto interna como externamente, sem perder a compatibilidade com os periféricos e circuitos de apoio já existentes.

             E a Apple continuava em disparado na frente. O seu MacIntosh era muito mais avançado - e adotado - do que o AT da IBM. O Mac tinha uma resolução gráfica muito maior, trabalhava com sons digitalizados, muito mais rápido e mais fácil de usar. A interface gráfica não necessitava de altos conhecimentos por parte do usuário, permitindo, assim, que fosse amplamente adotado por pessoas que nunca tinham visto um microcomputador na vida. Pois o processo de aprendizado era muito mais rápido.  

         Após três anos de sucessivos adiamentos, a Microsoft lançou um "ambiente operacional" gráfico para a linha IBM PC - o Windows - teoricamente uma interface gráfica similar ao do MacIntosh. Assim, aquelas pessoas que iriam escolher o MacIntosh pela sua facilidade de uso podiam agora escolher entre o MacIntosh e um micro com padrão IBM. Na verdade o Windows acabou ficando muito aquém da interface gráfica da Apple, devido a diversas limitações de hardware e software da linha IBM PC.

   Na verdade, a idéia principal era conseguir convencer a todos os fabricantes de software que desenvolver softwares para um ambiente gráfico era muito mais fácil e poderíamos ter em uma mesma tela vários programas diferentes compartilhando uma mesma área, com a possibilidade de intercâmbio total de dados entre eles - o que não acontecia nos pacotes integrados que existiam na época e como acontecia no MacIntosh. Não só a microsoft criou um ambiente operacional gráfico. O próprio atraso da microsoft em lançar o Windows fez com que diversos outros fabricantes de software criassem seus próprios ambientes gráficos, tais como o DESQ (Quaterdeck) - que foi re-desenvolvido e lançado depois como DESQView - o VisiOn (VisiCorp), o TopView (IBM) e o GEM (Digital Research). Destes, o mais parecido com o que realmente era para ser um ambiente operacional gráfico era o GEM.  

     Toda essa história de ambiente gráfico tentando fazer com que os microcomputadores ficassem parecidos com o MacIntosh foi - e ainda é - um grande “bum” entre os fabricantes de software. Todos apreciaram a idéia. Menos, é claro, a Apple. A ameaça de um processo movido pela Apple sobre todos estes fabricantes foi muito grande. No caso da Digital Research, ela mesmo tomou a iniciativa de redesenhar a interface gráfica de seu GEM. A HP também estava sofrendo por causa de seu recém-lançado ambiente gráfico, o New Wave. O argumento utilizado pela HP foi muito simples: “Baseamos nosso ambiente gráfico no Windows.”. Porém a microsoft não cedeu. Não redesenharia o seu Windows. A Apple processou a microsoft e, logicamente, não ganhou. Pois quem criou toda comunicação visual gráfica não foi nem a Apple nem a microsoft. Foram os pesquisadores do PARC, que pertencia a Xerox. 

      Atualmente para a linha IBM PC possuímos somente duas interfaces gráficas realmente parecidas com a interface gráfica proposta pela Apple: a interface gráfica do sistema operacional OS/2 da IBM e a do sistema operacional Windows 95 da Microsoft. Para se ter uma idéia, somente 11 anos depois do lançamento do Macintosh a Microsoft conseguiu lançar um produto com interface gráfica similar.

                                                     FIM...