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A HISTÓRIA DOS MICROCOMPUTADORES
Um verdadeiro processamento tecnológico. |
Quando a civilização se formou,
havia produtos para se trocar, distâncias a se medir e a se comparar,
medidas a representar e valores a registrar para que pudessem ser depois
utilizados. A humanidade começou cedo a calcular, daí surgiram instrumentos para ajudar o homem a contar. Um
deles é o ábaco, que muitos japoneses usam até hoje, aqui mesmo em Santos.
Movia-se algumas continhas para um lado, tinha-se uma quantia. Movia-se
mais algumas continhas para esse mesmo lado, e eis a soma. Movendo para o
lado contrário, faz-se a subtração. A posição das contas formava uma
espécie de memória da soma.
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Cartões perfurados - Em 1802, Joseph Jacquard construiu um tear
que memorizava os modelos de fábrica em cartões perfurados. A
máquina conseguia “ler” esses cartões: conforme um dispositivo
encontrava um furo no cartão, atravessava-o, e com isso era cumprida
uma determinada instrução. Em 1890, Herman Hollerith usou
esses cartões perfurados para agilizar o censo demográfico dos
Estados Unidos. Nesses cartões, havia campos a serem perfurados ou
não pelos pesquisadores, e que seriam depois lidos por uma máquina
(como no tear de Jacquard). |
Esse trabalho era
feito numa máquina de manuseio de dinheiro, por isso os cartões tinham o
tamanho da cédula de um dólar. Bom presságio: a companhia fundada por Hollerith, a International Business Machines, é hoje a importante
multinacional IBM. Essa empresa, em 1937, apoiou financeiramente Howard
Aiken no desenvolvimento do primeiro computador eletromecânico do mundo: o
MARK I, que também teve o apoio financeiro da marinha americana. Para que
você tenha idéia do tamanho de tal máquina, o MARK I media dezoito metros
de comprimento, por dois metros e meio de altura.
Com a
chegada da II Guerra Mundial e conseqüente avanço da eletro-eletrônica, os
Serviços Secretos de diversos países queriam construir seus computadores,
principalmente para serem utilizados na codificação de mensagens. De um
lado, a Alemanha de Hitler construiu em 1941 o Z3. Do lado dos Aliados, a
Inglaterra construiu um computador capaz de decifrar as mensagens
utilizadas pelos países do eixo, codificadas pelo próprio Z3. Em 1943
foram produzidos dez Colossus, o nome que este computador recebeu. Como o
próprio nome sugere, possuía dimensões gigantescas, cerca de 1.500
válvulas e era capaz de processar cerca de 5.000 caracteres por segundo. A
válvula é um componente que trabalha com tensões elétricas relativamente
altas e é basicamente térmico. Portanto, o mais comum era alguma válvula
se queimar dentro de pouco minutos, fora o super aquecimento que as
instalações do computador sofriam.
A Guerra fez com
que todos percebessem que a hora da criação de tais máquinas tinha
chegado. No mesmo ano da criação do Colossus, foi iniciado o projeto do
ENIAC (Electronic Numeric Integrator And Calculator), o primeiro
computador à válvulas dos Estados Unidos, terminado somente após a guerra
(1946), também para uso basicamente militar - como cálculo de trajetória
de mísseis. Alan Turing, o mesmo criador do Colossus, ajudou neste
projeto. O ENIAC tinha cerca de 18.000 válvulas, sendo que de dois em dois
minutos uma válvula se queimava. O ENIAC era mais colossal do que qualquer
outro computador desta época. Ocupava uma área de 170
metros quadrados e pesava 30 toneladas. Sua incrível performance foi há
muito superada por qualquer calculadora de bolso.

A partir de 1945, um novo
marco foi colocado na história dos computadores com John von Neumann,
Arthur Burks e Herman Goldstine. Para se ter uma idéia, a programação do
ENIAC era toda feita através de ligação de cabos em conectores, o que
demorava literalmente semanas.

As idéias de von Neumann - que são
utilizadas até hoje - fizeram com que os computadores pudessem ser
programados através de programas(rotinas de manipulação de dados
que se utilizam de instruções próprias do computador).
A partir das idéias de von Neumann e sua
equipe, os primeiros computadores a utilizarem conceito de programas foram
criados: o EDSAC (Electronic Delay Storage Automatic Computer) e o
EDVAC (Electronic Discrete Variable Automatic Computer), em 1949.
A partir daí, os computadores passaram a diminuir bastante de tamanho.
Mas, além do tamanho
gigantesco, essas colossais máquinas eram todas resultantes das mais diversas
pesquisas de um mercado eminente. Ou seja, quem operava tais máquinas eram
os próprios criadores para um público muito restrito.
O primeiro
computador a ser produzido em escala comercial foi o UNIVAC (Universal
Automated Computer), pelos mesmos criadores do
ENIAC. O primeiro UNIVAC
ficou pronto em 1951.
Três anos
mais tarde, a IBM passa a dominar o mercado de computadores ao construir
seus computadores em escala comercial, com o lançamento do IBM 701 e, principalmente,
do IBM 650 em 1954. Este último vendeu mais de mil unidades, um sucesso
absoluto de vendas, e que veio refletir a real necessidade que o mundo
teria no uso de computadores.

Uma
outra revolução na eletrônica, seguramente foi o surgimento dos
transístores, pequenos circuitos elétricos que substituíram as enormes
válvulas. Assim, o transístor permitiu o surgimento da segunda geração dos
computadores.
Em 1958, o engenheiro Jack Kilby, da Texas Instruments, inventou o
circuito integrado. Em 1961, surgiram os microprocessadores que, mesmo
sendo menores que uma unha, podiam obter o mesmo resultado que milhares de
transístores reunidos. Eles permitiram, na década de 70, o aparecimento da
terceira geração de computadores, que já podiam executar vários programas
simultaneamente.

E a evolução passou a ser cada vez mais rápida. Hoje, uma calculadora de
bolso que custa em torno de R$4,00 em qualquer camelô, consegue fazer mais do que aqueles
equipamentos enormes de 55 anos atrás. No final da década de 70, foram
lançados comercialmente os primeiros microcomputadores para uso pessoal.
O primeiro
computador pessoal surgiu em 1971: o Kembak-1, com 256 bytes de
memória, sendo anunciado por US$ 750 na revista Scientific American. O
mesmo ano marcou o aparecimento do disquete flexível (floppy drive, então
com oito polegadas de diâmetro) e do microprocessador Intel 4004.
Mas foi a saída de dois funcionários da fábrica Intel que detonou o
processo que levaria à popularização dos computadores pessoais. Frederico
Faggin e Masatoshi Shima, que tinham participado do desenvolvimento do
microprocessador 8080A (considerado o primeiro “computador num chip”)
fundaram a Zilog Incorporated e passaram a desenvolver um novo chip,
compatível com aquele (que tinha se tornado popular entre amadores e
projetistas de computação). Ampliaram o conjunto de instruções embutidas
no chip e criaram o Z80, lançado em 1976.
Em 1978, a Intel lança o 8086, primeiro processador de 16 bits. Esse
processador acabou sendo
um grande fracasso, pois na época não existiam circuitos de apoio que
pudessem trabalhar a 16 bits, sendo utilizado apenas em alguns sistemas
corporativos. O 8086 podia acessar até 1 MB de memória RAM.
Com base no fracasso do 8086, a Intel lança no mesmo ano, o 8088. Tal processador
era idêntico ao 8086, mas apesar de internamente funcionar com palavras
binárias de 16 bits, externamente trabalhava com palavras de 8 bits. Isso
permitia seu uso em conjunto com periféricos como placas de vídeo e discos
de 8 bits, que eram muito mais baratos na época, sendo justamente este o
motivo da sua popularização. O 8088 foi usado nos micros IBM PC e IBM XT,
e também em clones de outros fabricantes, e possuía velocidade de operação
de 4,77 Mhz.
A partir da década
de 80, foram lançados vários processadores: o 286 da Intel, o 386 da Intel que também
teve modelos lançados por outros fabricantes como a AMD, o 486DLC e
o 486SLC lançados pela Cyrix, o 486 SX e o 486 DX da Intel, o 586 da AMD e
da Cyrix, o Pentiuns I, II, III e IV, Duron, Athon, entre outros.

Durante a década de 80, também surgiu o primeiro sistema operacional, um programa que permitiria o
acesso a unidades de disco magnético por parte dos microcomputadores. Este
sistema operacional, o CP/M (Control Program / Microcomputers),
criado por Gary Kildall através de sua empresa, a Digital Research, foi
escrito somente para microcomputadores baseados nos microprocessadores
8080 e 8085 - além de anunciar para breve o CP/M-86, para
microcomputadores baseados no microprocessador 8086 - todos da Intel; e no
microprocessador Z-80, da Zilog. A conseqüência direta disto foi a adoção
desta linha de microprocessadores por todos os fabricantes de
microcomputadores que queriam ter unidades de disco flexível em suas
máquinas. A Apple teve que, então, criar seu próprio sistema operacional
para o Apple II. Além de operar sistemas, os microcomputadores precisavam
de uma linguagem na qual as pessoas pudessem escrever seus programas. A
escolha mais lógica foi a linguagem BASIC. Então, Bill Gates criou a
Microsoft, e desenvolveu um interpretador de BASIC em ROM para ser
colocado em microcomputadores.
Neste meio tempo em
que a IBM ainda não havia se decidido a entrar no mercado dos
microcomputadores pessoais, a Apple lança diversos periféricos para seu
Apple II, como pranchetas gráficas, impressoras e outras centenas de
produtos. E o mercado de software cresce assustadoramente, tornando o
Apple II um dos micro com mais Softwares produzidos. Foi lançado
também a SoftCard, placa com um co-processador Z-80, para que o Apple II
pudesse ter acesso a todos os programas escritos sob o sistema operacional
CP/M. E o Apple II tornou-se um dos microcomputadores mais vendidos em
todo o mundo. A Apple lança também o Apple III, que não teve o menor
sucesso, mas lançou a unidade de disco rígido para microcomputadores
pessoais. A Atari também entra no mercado dos microcomputadores pessoais com o
seu Atari 400 e depois o 800.
A IBM, que
inicialmente não teve interesse em microcomputadores pessoais - ela
preferia continuar produzindo computadores de médio e grande portes -
finalmente resolveu, em 1981, entrar nesse mercado, vendo que estava
crescendo assustadoramente e era a única que poderia desbancar a
supremacia da Apple - pois tinha nome, tecnologia e dinheiro. Mesmo assim
o direcionamento e a estratégia de marketing continuava em torno dos
computadores de grande porte. O que a IBM queria era colocar
microcomputadores pessoais na casa das pessoas de modo que na hora da
decisão da compra de um grande computador para empresas, a maioria das
pessoas associasse a idéia de computador à IBM, por já possuir um
microcomputador IBM em casa.
Persuadida pela
Microsoft, a IBM decidiu utilizar a linha de microprocessadores da
Intel.
Finalmente, em 1981
a IBM lança o seu IBM-PC. Como o lançamento do CP/M-86 anunciado "para
breve" demorou muito, então a Seattle Computer - uma das empresas que
estavam entrando no mercado na época e que havia lançado um microcomputador
baseado no 8086 - resolveu ela mesmo desenvolver um sistema operacional
para o seu microcomputador, chamando-o de QDOS. A Microsoft gostou e
comprou todos os direitos sobre o QDOS, rebatizando-o de MS-DOS, e possuiu
muita semelhança com o antigo CP/M. Assim, o IBM PC é lançado junto com
seu sistema operacional próprio, o MS-DOS 1.0 da Microsoft. Em 1983 a IBM
lança o seu IBM PC XT (Extended Tecnology), agora com disco rígido
(de incríveis 5 ou 10 MB) e uma nova versão do seu DOS, a 2.0.
Claro que a
IBM não dispunha dos anos de vantagem no mercado dos microcomputadores que
a Apple já acumulava. Quando ela começou a desenvolver um produto sobre o
qual não tinha o menor conhecimento, a Apple já estava em outro nível. Em
1979 a Apple começou a desenvolver outro microcomputador, o Lisa, baseado
em tudo aquilo que Steve Jobs tinha visto em sua visita ao PARC: a
interface gráfica.
Através de
uma interface gráfica, o microcomputador torna-se mais amigável. Funções
antes disponíveis somente através de comandos complicados e de difícil
memorização passaram a ser utilizadas através de símbolos (ou ícones)
disponíveis na tela. Para imprimir um documento escrito em um processador
de textos, bastava apontar o símbolo que representava o texto e
“arrastá-lo” e “soltá-lo” sobre o símbolo de uma impressora presente na
tela.
Assim
rompia-se uma barreira imposta por todos os outros microcomputadores: a
dificuldade de utilização, que para o Lisa, era um passado remoto. Ninguém
precisava ser um expert em computação para mexer no Lisa. Todos os
comandos entrados eram em forma de ícones gráficos, e o Lisa vinha com um
periférico estranho: o mouse, que permitia a entrada de dados em simples
movimentos. Isso facilitava ainda mais o uso por quem nunca tinha visto
um computador pela frente, passando a ser cada vez mais adotado. O Lisa
utilizava-se do microprocessador 68000 da Motorola, que trabalha
internamente com 32 bits, mas externamente com 16 bits (mais ou menos como
acontece com o 8086/8088). Lançado no mercado em 1983, o único
inconveniente era seu alto preço.
Paralelamente ao projeto do Lisa a Apple trabalhava em outro projeto: O
MacIntosh, criado para ser um “Lisa para se ter em casa”. Lançado em 1984,
a Apple obteve um sucesso estrondoso com o seu MacIntosh, partindo em
outra direção, descartando um futuro maior para a linha Apple II. O
próprio Steve Wozniak, pai do Apple II, se afasta da Apple nesta época por
não concordar com o fim de um futuro para a linha Apple II.
A IBM lança
o seu IBM PC AT (Advanced Technology) no mesmo ano em que a Apple lança o
seu MacIntosh e, logicamente, a Microsoft lança uma nova versão de seu
MS-DOS, a 3.0 e a 3.1. Baseado agora no microprocessador de 16 bits reais,
o 80286. A IBM conseguiu projetar um microcomputador que operasse com
palavras de 16 bits tanto interna como externamente, sem perder a
compatibilidade com os periféricos e circuitos de apoio já existentes.
E a Apple
continuava em disparado na frente. O seu MacIntosh era muito mais avançado
- e adotado - do que o AT da IBM. O Mac tinha uma resolução gráfica muito
maior, trabalhava com sons digitalizados, muito mais rápido e mais fácil
de usar. A interface gráfica não necessitava de altos conhecimentos
por parte do usuário, permitindo, assim, que fosse amplamente adotado por
pessoas que nunca tinham visto um microcomputador na vida. Pois o processo
de aprendizado era muito mais rápido.
Após três
anos de sucessivos adiamentos, a Microsoft lançou um "ambiente
operacional" gráfico para a linha IBM PC - o Windows - teoricamente uma
interface gráfica similar ao do MacIntosh. Assim, aquelas pessoas que
iriam escolher o MacIntosh pela sua facilidade de uso podiam agora
escolher entre o MacIntosh e um micro com padrão IBM. Na verdade o Windows
acabou ficando muito aquém da interface gráfica da Apple, devido a
diversas limitações de hardware e software da linha IBM PC.

Na verdade,
a idéia principal era conseguir convencer a todos os fabricantes de
software que desenvolver softwares para um ambiente gráfico era muito mais
fácil e poderíamos ter em uma mesma tela vários programas diferentes
compartilhando uma mesma área, com a possibilidade de intercâmbio total de
dados entre eles - o que não acontecia nos pacotes integrados que existiam
na época e como acontecia no MacIntosh. Não só a microsoft criou um
ambiente operacional gráfico. O próprio atraso da microsoft em lançar o
Windows fez com que diversos outros fabricantes de software criassem seus
próprios ambientes gráficos, tais como o DESQ (Quaterdeck) - que
foi re-desenvolvido e lançado depois como DESQView - o VisiOn (VisiCorp),
o TopView (IBM) e o GEM (Digital Research). Destes, o mais
parecido com o que realmente era para ser um ambiente operacional gráfico
era o GEM.
Toda essa
história de ambiente gráfico tentando fazer com que os microcomputadores
ficassem parecidos com o MacIntosh foi - e ainda é - um grande “bum” entre
os fabricantes de software. Todos apreciaram a idéia. Menos, é claro, a Apple. A ameaça de um processo movido pela Apple sobre todos estes
fabricantes foi muito grande. No caso da Digital Research, ela mesmo tomou
a iniciativa de redesenhar a interface gráfica de seu GEM. A HP também
estava sofrendo por causa de seu recém-lançado ambiente gráfico, o New
Wave. O argumento utilizado pela HP foi muito simples: “Baseamos nosso
ambiente gráfico no Windows.”. Porém a microsoft não cedeu. Não
redesenharia o seu Windows. A Apple processou a microsoft e, logicamente,
não ganhou. Pois quem criou toda comunicação visual gráfica não foi nem a
Apple nem a microsoft. Foram os pesquisadores do PARC, que pertencia a
Xerox.
Atualmente para a linha IBM PC possuímos somente duas interfaces gráficas
realmente parecidas com a interface gráfica proposta pela Apple: a
interface gráfica do sistema operacional OS/2 da IBM e a do sistema
operacional Windows 95 da Microsoft. Para se ter uma idéia, somente 11
anos depois do lançamento do Macintosh a Microsoft conseguiu lançar um
produto com interface gráfica similar.
FIM...
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